Člověk zahrada širá
Člověk zahrada širá (O homem, um jardim amplo)
Primeiro livro: poemas de juventude escritos sob o stalinismo tchecoslovaco. Kundera nunca autorizou reedição e riscou o volume da própria bibliografia.
Bibliografia
Em ordem de primeira publicação, com o ano de escrita e o da edição tcheca quando divergem. O marcador de sete segmentos indica a arquitetura interna de cada livro — quase todos os romances de Kundera têm sete partes, herança da forma musical aprendida com o pai musicólogo[1].
1953–1962 · excluídos do cânone pelo autor
Cinco livros de poesia, ensaio e teatro da fase engajada. Kundera recusou toda reedição e tradução, e pediu que fossem riscados da própria bibliografia[3]. Estão aqui porque existem — marcados como renegados.
Člověk zahrada širá (O homem, um jardim amplo)
Primeiro livro: poemas de juventude escritos sob o stalinismo tchecoslovaco. Kundera nunca autorizou reedição e riscou o volume da própria bibliografia.
Poslední máj (O último maio)
Poema épico sobre Julius Fučík, jornalista comunista executado pelos nazistas. Celebração explícita do regime — o texto que mais pesou na biografia do jovem Kundera.
Monology (Monólogos)
Terceiro e último livro de poemas. A ironia começa a aparecer, mas o volume seguiu o destino dos anteriores: excluído do cânone pelo autor.
Umění románu: Cesta Vladislava Vančury (A arte do romance: o caminho de Vladislav Vančura)
Ensaio sobre o romancista tcheco Vladislav Vančura, fuzilado pelos nazistas em 1942. Primeira tentativa de teoria do romance — gênero que Kundera retomaria, já na França, com outro rigor.
Majitelé klíčů (Os proprietários de chaves)
Peça encenada com sucesso na Tchecoslováquia do degelo. Kundera a renegou junto com a poesia stalinista e nunca permitiu nova montagem.
1963–2014 · o cânone autorizado
Tudo o que ele reconheceu: de Risíveis amores a A festa da insignificância. A partir de A lentidão (1995), escrito diretamente em francês[4].
Směšné lásky
Sete contos escritos ao longo da década de 1960 e reunidos em três coletâneas tchecas. Kundera dizia que ali 'se encontrou' como prosador: o riso como ferramenta, o erotismo como termômetro político.
Žert
Um cartão-postal com uma piada ('Viva o Trotski!') destrói a vida de um estudante na Tchecoslováquia stalinista. Publicado na véspera da Primavera de Praga, vendeu centenas de milhares de exemplares e depois foi banido.
Ptákovina (Uma loucura qualquer)
Peça publicada em 1969 e atribuída a Kundera, cuja autoria ele discutiu publicamente. Caso raro de obra no limbo: nem renegada nem reivindicada por inteiro.
Život je jinde
A vida de Jaromil, poeta lírico devorado pela mãe e pela revolução. Pronto em 1969, não pôde sair na Tchecoslováquia ocupada: estreou em francês em 1973 e ganhou o Prêmio Médicis.
Valčík na rozloučenou / La Valse aux adieux
Cinco dias em um balneário tcheco: um trompetista, uma enfermeira, uma gravidez indesejada e uma despedida da terra natal. A estrutura segue os cinco dias da trama — a exceção à regra das sete partes.
Kniha smíchu a zapomnění
Sete partes entre romance, conto, memória e variação musical: Tamina, a fotografia retocada, a lítost. Kundera o chamou de 'variações' — e é aqui que o esquecimento vira personagem central.
Jacques et son maître
Homenagem a Diderot: reescrita de Jacques, o fatalista, escrita já no exílio francês. Um servo e um amo trocam de lugar a cada cena — o teatro como jogo de espelhos.
Nesnesitelná lehkost bytí
Tomas, Tereza, Sabina e Franz sob a invasão de 1968: o retorno eterno de Nietzsche contra a leveza de Parmênides. O livro que fez de Kundera um autor mundial — e que só teve edição tcheca oficial em 2006.
L'Art du roman
Sete partes de teoria do romance: Cervantes, Rabelais, Kafka, o 'esquecimento do ser' e o romance como herança europeia. A poética de Kundera explicada pelo próprio — sem concessões.
Nesmrtelnost / L'Immortalité
Um gesto de uma mulher desconhecida numa piscina desencadeia o romance: Agnès, Goethe e Hemingway conversando no além, a imagologia triunfante. O último romance 'tcheco' de Kundera, escrito entre dois países.
Les Testaments trahis
Nove partes contra as traições infligidas às obras: traduções infiéis, biografismos, a censura aos testamentos de Kafka e de Stravinski. O mais combativo dos seus ensaios.
La Lenteur
Primeiro romance escrito diretamente em francês. Uma noite num castelo, dois séculos de galanteio e a tese: a velocidade é a forma de êxtase que a técnica deu ao homem esquecido.
L'Identité
Chantal e Jean-Marc, cartas anônimas de um admirador que não existe: o que resta da identidade quando o olhar do outro se retira? O mais enxuto dos romances franceses.
L'Ignorance
O retorno impossível: Irena volta a Praga vinte anos depois e descobre que a Odisseia mentiu — não há Ítaca. A grande nostalgia é também uma grande ignorância.
Le Rideau
Ensaio em sete partes sobre o romance como rasgo na cortina do pré-interpretado. Contra a 'história da literatura' como fronteira nacional: só existe a história universal do romance.
Une rencontre
O último ensaio: uma constelação de encontros com pintores, compositores e romancistas amados — de Bacon a Anatole France. Defesa da arte contra a 'feiura dos processos'.
La Fête de l'insignifiance
Quatro amigos em Paris, Stalin contando piadas, um anjo caindo sobre um jardim. O último romance: a insignificância como 'a essência da existência' — e como consolo final.